Passados 28 dias desde o início da Operação IARA, deflagrada em 22 de maio na comunidade do Detran, na Zona Oeste do Recife, as forças de segurança de Pernambuco apresentam um balanço das ações realizadas na região. Coordenada pela Secretaria de Defesa Social (SDS), a operação reúne efetivos da Polícia Militar de Pernambuco (PMPE), Polícia Civil de Pernambuco (PCPE) e Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco (CBMPE).
Segundo a SDS, a intervenção foi planejada com base em um trabalho de inteligência e executada sem registro de confrontos, preservando a segurança dos moradores e reduzindo impactos na rotina da comunidade.
A operação teve como principal objetivo restabelecer a presença do Estado em uma área historicamente afetada pela atuação de grupos criminosos. Antes da ação, a Ilha do Bananal, localizada na comunidade do Detran, era apontada como um ponto estratégico utilizado por traficantes para armazenar armas e entorpecentes.
De acordo com as forças de segurança, o isolamento geográfico da região, cercada pelo Rio Capibaribe e de difícil acesso, favorecia a atividade criminosa e servia como base logística para o abastecimento do tráfico no Recife e em municípios da Região Metropolitana.
Com a ocupação da área, a estrutura utilizada pelo crime organizado foi desarticulada. Em quase um mês de operação, foram apreendidas 17 armas de fogo de diversos calibres, incluindo um fuzil, submetralhadoras, espingardas, rifles e revólveres. Também foram retiradas de circulação mais de 3.770 munições e oito granadas artesanais.
No combate ao tráfico de drogas, as equipes apreenderam 16,4 quilos de maconha, entre tabletes e porções prontas para comercialização, além de mais de 4,6 quilos de crack, 1.758 pedras embaladas para venda e cerca de 1,6 quilo de cocaína.
As ações resultaram ainda na apreensão de materiais utilizados por organizações criminosas, como trajes camuflados do tipo ghillie, balaclavas, coletes balísticos e livros-caixa com registros da movimentação financeira do tráfico.
Um automóvel e quatro motocicletas também foram recolhidos durante a operação. Até o momento, 17 suspeitos foram presos pelas equipes policiais.
Os reflexos da Operação IARA já podem ser observados nos indicadores de segurança da região. No bairro da Iputinga, onde está concentrada a área de atuação, houve redução de 36,4% nos registros de roubos e furtos de veículos e queda de 65,2% nos Crimes Violentos contra o Patrimônio (CVP) durante o período da operação.
Além disso, não houve registro de homicídios na localidade desde o início da ação.
Apesar dos resultados apresentados, a Secretaria de Defesa Social informou que a operação segue em andamento. Equipes permanecem mobilizadas em uma base operacional instalada estrategicamente na comunidade, realizando ações de policiamento preventivo, monitoramento e varreduras permanentes para consolidar os avanços alcançados.

