Um violento conflito agrário atingiu o município de Vitória de Santo Antão. Na última segunda-feira, 21 de setembro, famílias Sem Terra instaladas na Fazenda Canha foram alvo de um ataque a tiros perpetrado por um grupo de pistoleiros armados.
O ataque ocorreu poucos dias após a ocupação do imóvel rural e deixou duas pessoas gravemente feridas.
As vítimas dos disparos deram entrada em hospital da região em estado grave, onde passaram por intervenções cirúrgicas delicadas e permanecem sob risco de morte devido a complicações de saúde. O caso passou a ser investigado pelas autoridades policiais como tentativa de homicídio.
Segundo nota divulgada pela Direção Estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST-PE), a Fazenda Canha — área de antigo engenho no município de Vitória de Santo Antão com mais de 500 hectares — é um latifúndio improdutivo que descumpre sua função social. O movimento alega que a ocupação buscou denunciar não apenas a ociosidade da terra, mas também a ocorrência de infrações tributárias e danos ambientais, inclusive em áreas da reserva ambiental ligada à Barragem do Mocotó. Denúncias prévias já haviam sido encaminhadas ao Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), à Comissão Estadual de Conflitos Agrários, à Secretaria de Direitos Humanos e ao Ministério Público.
O MST atribui a autoria intelectual da ação criminosa aos proprietários da terra e exige a identificação e prisão imediata tanto dos executores quanto dos mandantes. Além da apuração criminal rigorosa de toda a cadeia de envolvidos, a organização solicita a desapropriação célere da área para fins de reforma agrária e medidas urgentes de proteção às famílias para evitar novas investidas.
“Nenhum conflito agrária pode ser resolvido à bala”, destacou o movimento em posicionamento oficial emitido a partir de Caruaru, reafirmando a cobrança por justiça e segurança para os trabalhadores do campo. As autoridades estaduais acompanham a situação na zona rural de Vitória de Santo Antão.

