A Mata Sul pernambucana passa a contar com um novo evento no calendário cultural: o Usina Jazz & Blues Festival, que estreia entre os dias 27 e 29 de março, na Usina de Arte, em Água Preta. Com programação gratuita, o festival propõe a união entre música, memória e território, reunindo apresentações de jazz e blues e a inauguração de uma nova obra artística no espaço.
A primeira edição ocupa o prédio da antiga destilaria da usina, com shows de atrações como Jazz Blues Band, Esquinas do Blues, Os Caras do Blues, Bella Schneider & Band, Mallavoodoo e Clave de Fá. A proposta vai além de apresentações musicais, buscando promover o diálogo entre linguagens que compartilham raízes na cultura africana, reconhecendo o blues como base para diversas vertentes da música contemporânea, incluindo o jazz.
O festival também integra uma estratégia de descentralização cultural, levando ao interior do estado gêneros tradicionalmente presentes em grandes centros urbanos. Para a presidente da Usina de Arte, Bruna Pessôa de Queiroz, o evento simboliza o potencial das trocas culturais e também contribui para a economia local, com espaços como o Mercado dos Arcos funcionando durante toda a programação.
Entre os destaques, a cantora Bella Schneider se apresenta no sábado (28), prometendo um show marcado por improvisação e interação com o público. “São estilos que falam sobre encontro, troca e verdade humana”, destacou a artista.
Encerrando o festival, a banda Clave de Fá reforça a importância de iniciativas que ampliem o acesso à música autoral. A vocalista Isabella Andrade ressaltou o papel do evento na formação de público e no fortalecimento da cena musical.
Além da programação musical, o festival marca a inauguração da obra “Óculo”, do artista Artur Lescher. Produzida em aço inoxidável, a peça funciona como uma espécie de lente que enquadra a paisagem ao redor, criando uma experiência sensorial que conecta passado e presente.
Instalada no espaço onde funcionava a antiga Usina Santa Terezinha, a Usina de Arte se consolidou como um parque artístico-botânico que integra arte contemporânea, meio ambiente e desenvolvimento social. O local reúne mais de 45 obras distribuídas em uma área de 44 hectares, além de um processo contínuo de reflorestamento com mais de mil espécies.
Com a realização do festival, a região reforça seu potencial cultural e amplia o acesso da população a diferentes expressões artísticas, consolidando-se como um importante polo de experimentação e difusão cultural no interior de Pernambuco.

