PESQUISA CONFIRMA EXPANSÃO DA COVID-19 PARA O INTERIOR DO ESTADO

Nos últimos 15 dias, o novo coronavírus tem avançado nas cidades do interior de Pernambuco. É o que constata a pesquisa da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), que avaliou o registro de novas infecções por cidade, entre os dias 27 de abril e 11 de maio. Dos cinco municípios que apresentaram variação, apenas Itapissuma está na Região Metropolitana do Recife. Na sequência, aparecem Ibimirim (no Sertão), Passira, Pesqueira, Bezerros (no Agreste) e Escada (na Zona da Mata).

Em Itapissuma, o número de casos saltou de 3 para 30, um crescimento de 633%. Já Ibimirim e Passira tiveram crescimento de 600%, ambas saindo de 1 para 7 casos. Pesqueira, em terceiro lugar, subiu 500% (de 1 para 6). Em quarto, os municípios de Bezerros e Pedra, com 400% (de 1 para 5). Na quinta posição vem Escada, com 375% de variação de 4 para 19 contaminações. Recife, mesmo sendo a cidade com a maior concentração de infecções, aparece na 64ª colocação, com variação de 92% (de 1.935 para 3.711).

“O aumento de casos não é linear no estado”, explicou o pesquisador Neison Freire, que coordena o Centro Integrado de Estudos Georreferenciados (Cieg), da Fundaj, que realiza o estudo. “Em municípios do Agreste e Sertão tivemos grandes crescimentos, mas não foram em polos como Caruaru e Petrolina. Isso sugere diferentes abordagens para controle da pandemia. Cidades pequenas que passam de 3 para 30, por exemplo, demonstram que há algo de errado sendo feito”, acrescentou.

As rodovias são apontadas como as rotas de expansão da pandemia pelo estado. Há de se levar em consideração, também, fatores como o grau de isolamento de cada cidade, a distância entre um município e outro, atitudes coletivas e individuais da população, ações do poder público e a característica de deslocamento dos habitantes – se vão muito a grandes centros ou recebem visitas de locais diversos, por exemplo. Isso explica as disparidades encontradas dentro de uma mesma região, a exemplo do Sertão. Enquanto Petrolina, Salgueiro e Serra Talhada apresentaram uma variação baixa, Trindade e Ibimirim tiveram saltos expressivos.

“O crescimento exponencial da pandemia se dá consideravelmente no entorno da área metropolitana, no Agreste e em poucas cidades do Sertão. Comparando o mapa da variação percentual com o mapa de casos confirmados de 11 de maio, percebe-se a uma notável diferença entre eles: o padrão de expansão da pandemia não segue necessariamente uma relação direta de quantidade de casos”, destacou o pesquisador.

Na visão de Neison, a pandemia ainda não alcançou seu pico em Pernambuco. Ainda que as mortes estejam ocorrendo com maior frequência em bairros pobres, a taxa de contágio observada nessas regiões está abaixo das áreas de classe média. “Não vimos, até o momento, a chegada dela em áreas de alta vulnerabilidade social. Por enquanto, as taxas de contágio se concentram nos bairros nobres”, comentou.

Para deixar de forma mais clara esse ponto, Neison usa exemplo ocorrido em Barcelona, na Espanha: “Por lá, o coeficiente de contágio nos bairros ricos era de 88%. Já nos pobres, 533%. Em Pernambuco, se os índices de contágio dos mais pobres crescerem mais que a da classe média, teremos um colapso muito maior. E o governo sabe disso”, pontuou.

Do Diario de PE.

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