EM SEMINÁRIO, SINTEPE “DESMACARA” ENSINO INTEGRAL DE PERNAMBUCO

Representantes das Escolas de Tempo Integral que funcionam nas quatro macros regiões de Pernambuco, composto por gestores, professores e analistas compareceram no Seminário das Escolas de Referência, promovido pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Pernambuco (SINTEPE), em Vitória de Santo Antão, nesta quarta-feira (16), no auditório da Faintvisa.

O Seminário ouviu as reivindicações destes profissionais que atuam em mais de 60 municípios das Matas Norte, Centro e Sul, bem como o Litoral Sul do Estado, sobre o que está acontecendo nos ambientes de trabalho das chamadas Escolas de Referência (ERE’s). Na oportunidade, foram levantadas propostas que farão parte de um documento que norteará o debate e a ação do sindicato a partir da ótica da categoria na construção de Qual escola queremos? As atividades fazem parte de uma agenda organizada pelo Sintepe que já passou por Salgueiro e Caruaru, seguindo no dia 18, para a Região Metropolitana do Recife.

Para William Menezes, vice-presidente do Sintepe, a categoria NÃO é contra a Educação Integral que se desenha desde 2004 em Pernambuco. A posição do sindicato é contrária ao modelo implantado pelo ex-governador Eduardo Campos e que teve a continuidade do atual, Paulo Câmara (PSB), baseado na Lei Complementar nº 125, de 10 de julho de 2008, pelo qual consideram ter sido imposto, detendo um caráter escolar excludente. Para ele, o ideal seria educação integral voltada apenas às séries iniciais.

Na região, cada município detém pelo menos uma Escola de Referência, a qual divide o espaço educacional junto com as Escolas Técnicas (ETE’s), quando esta última modalidade há duas unidades instaladas: Gravatá e Bezerros.

Durante o Seminário, os trabalhadores em educação avaliaram que o atual modelo de ensino integral em Pernambuco apresenta sérias desconstruções à lei que compõe as escolas de referência. A categoria considera que este programa de governo foi executado para “impressionar as famílias e os estudantes”, por não atender uma concepção pedagógica e o que é mais grave, repetir um modelo copiado do Estado de Minas Gerais. Hoje, os profissionais que atuam nas ERE’s consideram que estas unidades, são na verdade, “uma grande creche para adolescentes”.

Dentre as críticas apontadas, eles descrevem que as ERE’s cumprem 45 horas/aulas semanais por toda a manhã e tarde, ininterruptamente, sem intervalo para qualquer outra atividade que estimule a interdisciplinaridade, o empreendedorismo, a extensão e pesquisa, itens estes, muito distante da proposta vendida a sociedade pelo Governo do Estado, que se quer, apresenta uma solução para o aluno vítima da diferença idade X série.

Os educadores também não pouparam críticas a forma como os Diretores de Escolas são selecionados e eleitos, bem como fizeram uma autocrítica no que tange à meritocracia imposta pela Lei Complementar aos que atuam no setor, o qual consideram nociva à relação interpessoal dentro das escolas. Segundo a categoria, o professor da escola de referência foi “corrompido”, na medida em que é instigado a maquiar as notas a fim de causar melhor desempenho escolar procurando atender as regras estabelecidas pelo MEC.

“Vendem um falso discurso de que nós somos professores de excelência. Na verdade, fomos aliciados em troca de gratificações insustentáveis ao serviço público”, sentenciou um deles. Sobre o futuro da Escola de Referência, mostraram-se pessimistas. Os trabalhadores em Educação consideram que este modelo é caro e ineficiente, além disso, temem uma possível terceirização das ERE’s, correndo o risco de acontecer uma ação semelhante ao que ocorreu com o setor da Saúde pernambucana.

Confira depoimento do representante do Sintepe.

Por Lissandro Nascimento, enviado especial do A Voz da Vitória.

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