REPORTAGEM MOSTRA SITUAÇÃO DA PE-63 E O DESCASO DEIXADO PELO GOVERNO DO ESTADO

“Quase que não ia parar pra falar com vocês”, desabafou o motorista Valdenilson Gomes. “Aqui não tá brincadeira não. É assalto e sequestro de dia e de noite. Não fiquem muito tempo por aqui não”, alertou o condutor, estacionado no inexistente acostamento da PE-63, no trecho entre as cidades de Primavera e Amaraji. Há quase dez anos, motoristas e passageiros que circulam diariamente pelo local vivem uma realidade de transtornos e medo. As crateras já tomaram conta da pista, que, cercada por plantações de cana de açúcar, vê a lama vencer a fina camada de asfalto existente. Muitos veículos quebram na estrada que, sem sinalização e iluminação, se torna cenário recorrente de acidentes e da ação de criminosos.

No mês de maio, um casal de professores que seguia de Amaraji com destino a Primavera foi feito refém na PE-63, conforme foi mostrado com exclusividade aqui no AN. Moradores das duas cidades afirmam que os assaltos no percurso são rotina e que os ladrões aproveitam o baixo efetivo de policiais na região. Em Amaraji, município onde o abandono da estrada é maior, existem apenas dois policiais para cobrir uma população de 25 mil pessoas. O resultado é a crescente insegurança no local que se une, numa mistura preocupante, à falta de informações sobre o prosseguimento das obras de recuperação da pista. “O ruim é que a gente não tem outra opção, tem que passar por aqui todos os dias. O caminhão quebra, muitas vezes tem coisas na estrada pra furar o pneu dos carros. É uma situação que não tem explicações”, comenta o vaqueiro Paulo Roberto.

A autorização para o recapeamento da PE-63 foi expedida em 2013 pelo então governador Eduardo Campos. Cerca de 12 km de estrada foram recuperadas, mas com pouco mais de um ano do término das obras, o trecho da pista já apresenta buracos e remendos. O resto do caminho até Amaraji continua como sempre esteve: à margem do descaso do poder público.

Segundo o prefeito de Amaraji, Jânio Gouveia (PSB), o atraso de um pagamento na gestão do então governador João Lyra à empresa responsável pelos reparos na pista, motivou o atraso das obras. O prefeito informou que, com a posse do governador Paulo Câmara, o valor de R$ 1,1 milhão foi repassado à empresa em março. A companhia decidiu, por sua vez, não complementar de imediato os serviços da estrada alegando que o período chuvoso atrapalha o processo e prejudica o resultado final das obras.

Se referindo à pista que perpassa o município o prefeito de Amaraji estipulou que até setembro as máquinas começarão a dar fim ao sofrimento dos moradores da região.

José Robson/LeiaJáImagens
José Robson/LeiaJáImagens
José Robson/LeiaJáImagens
José Robson/LeiaJáImagens

Do LeiaJá.

Compartilhe:

Comentários

comments