EM ESCADA, ESTUDANTES FICAM SEM AULA POR FALTA DE CADEIRA

Bancas quebradas, sem apoio para escrever, com pregos à mostra, e alunos voltando para casa por não ter onde sentar. O cenário nas salas de aula é desolador. Ventiladores que não funcionam, quadros e birôs em situação precária, teto com goteiras e fios pendurados. O descaso com a educação tem endereço: a Escola Municipal Barão de Suassuna, na rua de mesmo nome, em Escada, na Zona da Mata de Pernambuco. É essa a realidade enfrentada, todo dia, pelos 1.377 estudantes do local.

O relógio crava 7h30 e os portões ainda estão fechados. Um funcionário controla rigorosamente o acesso dos alunos. Tem motivo para isso: a abertura só ocorre perto das 8h, e em fila. Mas logo vira uma guerra para conseguir uma carteira. No pátio, alunos passam de um lado para outro com bancas na cabeça. Quem chega primeiro consegue pegar as poucas carteiras em bom estado de conservação. Os retardatários têm de se contentar com cadeiras quebradas, sem braço ou descascadas. “Acho injusto. Às vezes, fica complicado anotar as atividades sem ter onde apoiar o caderno”, diz um estudante, cabisbaixo. Segundo os jovens, o problema ocorre desde o ano passado.

Alguns alunos não têm sequer a sorte de encontrar uma banca avariada. Sem ter um lugar para sentar, são obrigados a voltar para casa. Um absurdo flagrado por uma reportagem de TV. “Não tem banca. O jeito é ir embora. A gente fica muito mal”, lamenta o aluno Tiago Luís da Silva. “É muito chato”, diz uma colega dele, que pela terceira vez apenas neste ano precisou ir embora antes de a aula começar.

Os problemas vão além das salas de aula. No banheiro, a pia não tem torneira e as cabines estão sem descarga. Na cozinha, nenhum sinal de merenda nos armários, na geladeira ou no fogão. Apenas prateleiras vazias. Na secretaria, armários enferrujados e mais cadeiras sem condições de uso. Uma sala virou depósito de livros, todos jogados, que deveriam ser distribuídos aos estudantes ainda no ano passado. No pátio, uma caixa d’água com água suja. “É difícil. Não tem banca, não tem ventilador, não tem nada nessa escola”, revolta-se a estudante Audley Lopes, uma das que ficou sem carteira.

A reportagem esteve na sede da Secretaria Municipal de Educação. Mesmo lá, o descaso se faz presente. Na entrada, um punhado de bancas jogadas. Do lado de dentro, uma sala virou cemitério de livros velhos e objetos quebrados, como móveis, computadores e ventiladores. A secretaria funciona provisoriamente em um prédio e os gestores estão procurando uma casa para acomodar a escola.

Resposta
A secretária de Educação, Risolene Rita de Melo, afirmou que ainda nesta terça (17) chegaria um primeiro lote de carteiras. Outros dois carregamentos serão encaminhados até a semana que vem, totalizando 500 bancas. Ela responsabilizou os estudantes pelos ventiladores quebrados e pelo banheiro avariado, mas garantiu que os reparos serão feitos até o final do mês. Acrescentou que a escola vai realizar um trabalho de conscientização com os adolescentes. E informou que os quadros serão trocados nos próximos dias. Em relação aos alunos que tiveram que ir embora por falta de carteiras, ela explicou que todos terão as aulas repostas para cumprir o calendário de 200 dias letivos.

Risolene também admitiu que o município não está fornecendo merenda escolar desde o início das aulas, em 23 de fevereiro. De acordo com ela, a situação se deu porque a Secretaria de Educação de Escada responde a um inquérito federal por conta de uma suposta fraude na merenda na gestão anterior, que está sob investigação. Ainda assim, assegurou que, até o começo de abril, o problema será solucionado.

Do G1.

G1/PE.

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