CONSÓRCIO CONEST IRÁ DEMITIR 1.800 PROFISSIONAIS DA REFINARIA, EM SUAPE

O processo de desmobilização dos 42 mil trabalhadores nas obras da Refinaria Abreu e Lima (Rnest), no Complexo de Suape, começa a ganhar velocidade. Ao longo desse mês, o Consórcio Conest – integrado pelas empresas Odebrecht e OAS – vai desligar 1.800 profissionais. A previsão é que as dispensas na construção da Rnest (investigada pela CPI da Petrobras) sejam concluídas em 2015. Ontem, no escritório de Recursos Humanos da Conest, no Cabo de Santo Agostinho, funcionários questionavam a forma como estão sendo afastados. Muitos, com menos de três meses de contratação. Um carro da Polícia Militar foi chamado ao local, mas não houve tumulto.
“Não consigo entender como fui fichado (contratado com carteira assinada) no dia 7 e dispensado no dia 16 de maio. Sou de Aracaju e estou em Pernambuco desde 2010. Nesse período trabalhei em empresas como a PetroquímicaSuape, a própria Refinaria e dentro do Estaleiro Atlântico Sul, na conversão da plataforma P-62. Em todos esses só fui dispensado porque a obra acabou”, diz o eletricista-montador, Ivan Sales. 
O montador de andaime, André da Costa Clementino, conta que esse mês decidiu trazer a esposa e a filha de dois anos para Pernambuco depois de três anos vivendo no trecho em Suape. “Cheguei aqui em 2011 e não aguentava mais ficar ir e voltando do Pará pra ver minha família. Elas duas chegaram no último dia 12 e agora vou ter que dizer que não tenho mais emprego e que vamos voltar pra morar na casa dos meus pais no Pará. Esse não era meu sonho”, lamenta, mostrando a documentação de que foi contratado no dia 17 de abril e dispensado no último dia 14. André está na mesma leva do baiano Fredson dos Santos, em Pernambuco há um ano e seis meses e que foi contratado e demitido nas mesmas datas do colega. “Fui passar o crachá na catraca e deu vermelho. Quando isso acontece sabemos que estamos demitidos”, observa. 
O eletricista pernambucano Carlos Henrique Paranhos também só passou um mês no Conest. “Hoje (ontem) a empresa depositou minha rescisão antes mesmo de dar baixa na minha carteira de trabalho”, afirma, mostrando o comprovante de depósito e a CPT sem o carimbo de saída, enquanto aguardava ser atendido para encerrar sua rápida passagem pelo consórcio. Elias Fernandes “comemora” ter passado um pouco mais de tempos no Conest que os colegas: dois meses (entrou em março e saiu em maio). “Com esse comportamento, a empresa mancha nossa carteira de trabalho”, reclama.
Procurado pelo JC, o Conest informou que as demissões fazem parte do processo de desmobilização e da inadequação de alguns profissionais ao trabalho. “No mês de maio demitimos aproximadamente 1.800 pessoas. Estamos demitindo desde o dia 2. É uma redução sazonal do efetivo, o início da desmobilização. A casa três meses vamos fazer novas avaliações. Essa foi a maior desmobilização até agora. Deverá acontecer outras em setembro e dezembro, mas também pode não ocorrer se a demanda exigir”. Ainda segundo o Conest, “para a empresa é muito caro contratar e demitir. Normalmente a gente demite as pessoas que não se adequaram à atividade. São pessoas de várias culturas (de diversos Estados) que muitas vezes não de adaptam ou não querem ficar”. 
A procuradora do Trabalho, que acompanha a desmobilização em Suape, Débora Tito, disse que vai fiscalizar as dispensas no Conest. “Por enquanto, nosso contato com o consórcio estava limitado às reuniões do Fórum, que criamos para discutir a recolocação dos trabalhadores. Não considero trivial um número grande de demitidos com pouco tempo de contratação. Vamos averiguar”, garante. Já o Sindicato dos Trabalhadores na Construção Pesada (Sintepav) explicou que a situação reflete a instabilidade dos contratos. “Muitas vezes, por exemplo, a Petrobras diz que vai construir uma unidade, mas depois decide que não é mais necessário. E essa situação de insegurança não é boa pra ninguém”, reconhece.
Com informações do JC Online.
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