BEBÊ PERNAMBUCANO PORTADOR DE TROMBOFILIA É ENTERRADO EM ESCADA

O menino pernambucano portador de trombofilia que dependia de medicamento importado fornecido pelo Governo de Pernambuco foi enterrado nesse domingo (24), no município de Escada, na Mata Sul de Pernambuco. Matheus Henrique, de 1 ano e 4 meses, morreu no sábado (23) e estava internado desde outubro em estado grave na UTI do Hospital Esperança, na Ilha do Leite, na área central do Recife. A criança precisava tomar diariamente quatro ampolas do anticoagulante Ceprotin para sobreviver. O quadro dele se agravou depois que passou 11 dias sem o remédio, que custa R$ 1,6 mil, cada ampola.
A Defensoria Pública disse que vai analisar o laudo da morte e entrar com uma ação contra o Governo do Estado, uma vez que o quadro de Matheus piorou por conta dos dias que passou sem o medicamento. O garoto chegou a receber remédio do Governo da Bahia, que emprestou primeiro 30 e, depois, 22 ampolas. Somente no último dia 10 de novembro chegou ao Recife uma remessa com 270 ampolas de Ceprotin compradas ao laboratório suíço Baxter pelo Governo de Pernambuco.
Três dias antes, no dia 7, a Bahia havia autorizado o segundo empréstimo de ampolas do remédio necessário para manter vivo o bebê pernambucano, já que o estoque dele, abastecido pelo primeiro empréstimo, no dia 31 de outubro, acabaria naquele dia. A Bahia já compra o anticoagulante Ceprotin regularmente para um menino de 5 anos que também tem a doença. O baiano Luiz Otávio nasceu com as manchas roxas características da trombofilia e perdeu a visão logo nos primeiros meses de vida em consequência da doença.
Durante o enterro, a família de Matheus estava revoltada e responsabilizou o Estado pela morte da criança. O garoto já tinha parte do pé esquerdo amputado e perdeu a visão por causa da falta do remédio. O caso dele era único em Pernambuco.
Em nota à imprensa, a Secretaria Estadual de Saúde informa que lamenta profundamente a morte do paciente Matheus Henrique e reafirma que todas as medidas foram tomadas para garantir ou prolongar a vida da criança. Segundo o órgão, houve empenho para a aquisição do medicamento, que é proibido de ser comercializado no país pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) por não ter eficácia terapêutica comprovada para combater a doença que é rara e não tem cura.
TROMBOFILIA – Também conhecida como púrpura fulminante do recém-nascido, a trombofilia é uma anomalia no sistema de coagulação provocada pela deficiência de proteína C no sangue. Quem sofre da doença fica propenso a desenvolver trombose (coágulos sanguíneos).
Do Jornal do Comercio
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